365 motivos para amar Salvador

2 de fevereiro – Festa de Iemanjá

Por Luciano Matos

Foto: Ignácio Antonio

Foto: Ignácio Antonio

Já são quase 90 anos de festa, dia 2 de fevereiro o Rio Vermelho se transforma. Flores, cores, fé, devoção, mar, música e muita gente tomam conta do bairro. Tudo numa homenagem sacra e profana a rainha das águas, todos voltados para Iemanjá, na festa mais autenticamente afro-baiana de Salvador.

Se em outras festa a atenção é dividida entre um santo e um orixá, aqui é ela, Janaína, a Rainha das Águas, a força de Iemanjá que é celebrada. Desde a década de 60 que um padre resolveu encerrar a festa católica. Os pescadores e religiosos resolveram manter a festa para a orixá e comandam as homenagens, com devotos, pessoas comuns, turistas e todo tipo de público participando. Ricos, pobres, baianos ou não, fiéis e pecadores, todos vão às ruas.

A festa começa bem cedo. Na verdade já no dia anterior, a Colônia de Pesca Z1 abre o caramanchão para receber os presentes e dar início às saudações. Às 23h, os representantes dos pescadores se dirigem ao terreiro de candomblé Ogimirim, no Engenho Velho da Federação, para as obrigações religiosas.

Já no dia 2, às 2h, uma carreata sai do terreiro para entregar o presente a Oxum, rainha das águas doces, no Dique do Tororó. Às 4h30, porém, a festa do Rio Vermelho começa de fato, com uma alvorada de fogos anunciando a chegada da oferenda principal, uma escultura produzida por um artista plástico. Durante todo o dia as pessoas prestam suas homenagens, com mais presentes sendo entregues, seja diretamente nas águas, ou deixados na sede dos pescadores.

Perfumes, jóias, espelhos e muitas flores são deixados. Às 15h35  os presentes são reunidos e levados em cerca de 500 balaios para um barco principal e outras 300 embarcações que colocam as oferendas em alto-mar, distante de cinco quilômetros da praia. A volta dos barcos marca o encerramento da festa sincrética.

Foto: Rita Barreto - Governo do Estado da Bahia

Foto: Rita Barreto – Governo do Estado da Bahia

Paralelamente já acontecem, espalhadas pelas ruas do Rio Vermelho, diversas manifestações culturais e festas, fechadas, abertas, pagas ou de graça, com artistas, bandas, DJs e o escambau. Só ir andando pelas ruas que você encontra grupos percussivos, capoeiristas, palcos montados, sons de tudo quanto é tipo e muita música baiana. Além disso diversos espaços realizam feijoadas. Você encontra também as tradicionais barracas de comida e bebida, tão a cara de nossa terrinha.

É uma das festas de largo, como são conhecidas por aqui, mais populares e grandiosas de Salvador.  Cerca de 700 mil pessoas passam pelo bairro, com suas praias e ruas ficando lotadas durante todo o dia e adentrando pela noite. Uma celebração que reúne o que Salvador tem de mais bonito, seu povo, sua fé, sua música e sua forma de juntar tudo numa mesma festa com uma naturalidade espantosa. Salve Iemanjá.

This entry was written by lubmatos and published on February 2, 2013 at 5:44 am. It’s filed under Especial Rio Vermelho, festa, programa barato and tagged , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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