365 motivos para amar Salvador

21 de abril – O som ao redor de domingo

Por Luciano Matos

churrascão

Gaby Amarantos e família curtindo uma festinha regada a churrasco

 

Não é exclusividade de Salvador, mas é uma característica de poucas cidades a mistura em todos os níveis que a capital baiana proporciona. Aqui favelas, comunidades, invasões não são necessariamente periferia, não são regiões isoladas do centro, afastadas da elite. Seus moradores não precisam “pedir licença” pra entrar, nem ter que assimilar os códigos de uma elite pra se misturar. É tudo já misturado, naturalmente.

No ônibus, nas ruas, na praia, no dia a dia. O chamado povão se mistura com a classe média, com os mais afortunados e as informações são trocadas naturalmente. Música, gírias, gostos, apelidos, expressões, modos de ser e por ai vai. Todo mundo convive com tudo (menos aqueles que querem se isolar em seus carros com ar condicionado e vidro fechado e condomínios cercados. Mas esses não importam).

Pra quem mora em uma dessas comunidades ou perto delas, em bairros mais afeitos a isso, como Brotas e Cabula, se percebe esse encontro e essa troca mais facilmente. É no sossego do domingo, final de tarde, começo de noite, churrasquinho, cervejinha, família e amigos reunidos, muitas vezes batendo laje, som alto, som muito alto, muitas vezes até incomodando.

São nesses momentos que as distâncias, as diferenças e os valores pouco importam. Quando as regrinhas da cabeça de uma elite, as certezas dos tão certos de tudo se fundem. Quando desligar tudo em casa e absorver os sons, os cheiros, as vozes da vizinhança são daquelas coisas que fazemos ter certeza que essa é uma cidade especial. Acordar com os sinos de uma igreja, ouvir os atabaques de um candomblé, tudo ali em volta, durante a semana.

Mas no domingo, é o dia da diversão,de ouvir música alta, cantar alto, dançar e fazer coreografia. Pablo, Edson Gomes, Viola de Dez, Olodum, Harmonia do Samba, Branca di Neve. Ali, no terreno batido, como se não houvesse amanhã. Crianças, idosos, adultos, mulheres e homens se divertindo e pouco se importando com as notícias de fim de mundo que a imprensa quer nos fazer acreditar diariamente.

Sem se importar com o sofrimento diário, que começa amanhã, mas sem esquecer dele. Sem ligar pra julgamentos, preconceitos e as tais regrinhas de comportamento que dizem ser as certas. Sendo o que é. E mostrando coisas, ensinando, apresentando modos de ser, músicas, novas realidades ou lembrando para todos ao redor que ser soteropolitano pode ser isso também.

This entry was written by lubmatos and published on April 21, 2013 at 10:30 pm. It’s filed under Soteropolitanidades and tagged , , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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