365 motivos para amar Salvador

6 de junho – amolador

Por Carol Andrade

Foto: Carol Andrade/365 Salvador

Seu Pedro é amolador há 34 anos (Foto: Carol Andrade/365 Salvador)

O trabalho de amolador não é exclusivo de Salvador. Tem em Aracaju, São Paulo, Rio e até na Espanha, mas encontrar um amolado na capital baiana é um pouco complicado. São poucos – quase raros – que trabalham como antigamente. Então imagine a minha surpresa ao encontrar Seu Pedro hoje, com sua gaita e sua máquina na minha rua.

Pedro Teles de Souza tem 67 anos e trabalha como amolador há 34. É basicamente a metade da vida andando pelas ruas da cidade. A história como amolador começou quando ele ainda trabalhava na guarda noturna. Foi quando um colega de trabalho apresentou a máquina para ele. A tal máquina é o equipamento de trabalho e trata-se de uma roda grande, tipo de bicicleta e algumas ferragens. Com o esmeril mecânico e a pedra de amolar, o equipamento está pronto para amolar tesouras, alicates e outros objetos.

Durante algum tempo, Seu Pedro se dividiu entre a guarda, de noite, e rodar a cidade com a máquina, de dia. Mas logo depois ele se dedicou ao ofício de amolador completamente.  Depois que seu colega morreu, ele passou então a ser um dos mais antigos amoladores da cidade.

Seu Pedro e sua máquina de amolar (Foto: Carol Andrade/365 Salvador)

Seu Pedro e sua máquina de amolar (Foto: Carol Andrade/365 Salvador)

Hoje em Salvador, Seu Pedro contou que é o mais antigo amolador. Ele contou que só existem ele e mais dois em atividade, sendo que os outros dois amoladores aprenderam com ele o ofício. E foi com esse trabalho que criou os 10 filhos e sustentou sua família nos Barris. Das coisas que ele me disse, uma me encantou: “É um serviço bonito”, falou como que dizendo que faz algo especial.

Eu concordo com ele. Primeiro porque esses caminhos todos percorridos fazem dele um conhecedor dos mais belos cantos da cidade. Sem contar o sobe e desce de ladeira, e ainda esperar a chuva passar em baixo de toldo ou o sol queimando o juízo.

E ele contou ainda que cada dia tá em uma região. Hoje passou pelo Campo Grande, Vitória, Barra e vai até o Calabar. Ontem esteve no Centro Histórico, passando pelo Taboão, Pelourinho, Praça da Sé e Santo Antônio do Carmo. Mas ele conta que tem dias que vai à Itapuã, Pituba, entre outros bairros mais afastados e tudo ele faz a pé!

A música também faz parte do trabalho. O instrumento é uma espécie de gaita, parecida com a flauta de pã, mas de plástico. O som é bem alto e chamativo. “A gaita é para chamar o freguês. Sem o apito, (o trabalho) não funcionaria”, disse. “Você é feliz com a sua profissão?”, perguntei. “Sou muito feliz, gosto muito de ser amolador”, disse sorrindo. E como não haveria de ser?

motivo #157

This entry was written by carolangom and published on June 6, 2013 at 3:54 pm. It’s filed under Soteropolitanidades and tagged , , , , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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