365 motivos para amar Salvador

17 de junho – Primavera do Buzu

Por Carol Andrade

O primeiro ato de protesto pelo Movimento do Passe Livre em Salvador (Foto: Luciano Matos/iBahia)

O primeiro ato de protesto pelo Movimento do Passe Livre em Salvador (Foto: Luciano Matos/iBahia)

Desde a semana passada uma onda de protestos foi tomando conta do Brasil por conta do aumento da passagem de ônibus em São Paulo. A gente sabia que mais cedo ou mais tarde o descontentamento com os problemas que passamos todo dia ia explodir e que não, não é pelos R$0,20 a mais, e sim por uma série de questões tristes do Brasil, em meio à um evento mais do que milionário de futebol que estamos recebendo.

Mas a história começou a virar coisa séria quando, na quinta-feira (13), pipocou nas redes sociais inúmeras imagens chocantes da polícia metendo o cacete nos manifestantes paulistanos. Para quem não se lembra, há dez anos atrás – em 2003 – estourava em Salvador a pioneira Revolta do Buzu, onde jovens pararam a cidade contra o aumento do ônibus e revindicaram a meia-passagem nos finais de semana, feriado e férias, entre outros benefícios.

Naquela época, não havia redes sociais, nem organização. Aconteceu tudo muito espontaneamente, sem partidos e sem liderança. Como uma gota d’água. Estudantes de escola pública e particular, universitários, e alguns trabalhadores, todos por um bem maior.

Paramos Salvador e funcionou. Dos dez benefícios que pedíamos, nove foram atendidos. No ano seguinte, foi a vez de Florianópolis com a Revolta da Catraca, e em seguida outras capitais também criaram seus protestos. É importante lembrar que os soteropolitanos inspiraram outras cidades e serviram de exemplo para um movimento organizado visando o bem do coletivo. Mas o que estamos vivendo hoje é muito maior. Ainda não tem como prever o que será, mas a gente só espera o melhor.

Em São Paulo, neste momento, cerca de 65 mil pessoas estão nas ruas. Em Salvador, no primeiro ato de protesto, que aconteceu nesta segunda-feira (17), foram 10 mil. Nada mau. As redes sociais bombando com fotos, vídeos, mensagens de apoio de quem não pode comparecer e um sentimento de coletivo, de orgulho de ser brasileiro, que foi tomando os jovens. Até mesmo os mais frustrados, sem nenhuma esperança, estão olhando com carinho para este momento histórico.

Aqui no blog, não custa nada acreditar que o embrião dessa história tenha nascido aqui. Apesar do histórico de protestos não ser tão curto no Brasil, é possível que aquela geração da Revolta do Buzu que deitou em frente aos ônibus da Manoel Dias e do Iguatemi, esteja de volta nas ruas. Só que dessa vez é muito maior. A gente não tá pensando apenas como soteropolitano, mas como brasileiro. E isso em si já é um motivo para amar essa cidade e esse país.

motivo #168

This entry was written by carolangom and published on June 17, 2013 at 11:10 pm. It’s filed under Soteropolitanidades and tagged , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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