365 motivos para amar Salvador

14 de julho – Baba

Por Nelson Oliveira*

Foto: Nelson Oliveira

Foto: Nelson Oliveira

Poucas coisas são tão baianas (e, claro, soteropolitanas!) quanto o bom e velho baba. Para quem não é da terra, chamar o futebol descompromissado com amigos de “baba” pode até parecer esquisito, mas por aqui é assim mesmo. A gente não liga muito para formalidades, não é?

Então, como a gente não liga muito para coisas certinhas, qualquer lugar serve para bater um baba. Para quem é boleiro de verdade, Salvador é um paraíso. A capital baiana é uma das cidades brasileiras com o maior número de espaços públicos disponíveis para a prática do futebol. São mais de 130 campos de barro batido espalhados pela cidade, e alguns deles tem dimensões oficiais, o que é um verdadeiro luxo em tempos de especulação imobiliária. Imagine jogar um futebol onze contra onze, como a gente vê na tv? Em Salvador é possível.

Além desses campos, os fanáticos por futebol podem bater um babinha em quadras de praças e condomínios e até mesmo em clubes e centros esportivos, que alugam seus campos. Quem não tiver como pagar, também pode fechar uma rua para jogar, como acontece todo sábado de manhã em um dos babas mais conhecidos do Nordeste de Amaralina. Ou pode ir jogar bola na praia. Afinal, quem nunca viu um grupo enorme de pessoas na praia de Amaralina nos sábados e domingos pela manhã? Tem até torcida e juiz!

E se o assunto é baba, pode apostar que tem tradição no meio. É muito comum que o futebol entre amigos aconteça religiosamente em um mesmo dia da semana por muitos e muitos anos. Em quase todo bairro popular de Salvador tem o “baba dos amigos” de algum morador antigo do bairro, disputado entre os mais idosos e renovado pelos filhos e netos.

Quase todo mundo que bate baba também tem aquele baba em que está há algum tempo, porque, afinal, a graça do futebol é se divertir com os amigos. Tirar onda quando ganha várias partidas seguidas e quando deixa o bróder no chão depois de uma caneta desconcertante são clássicos momentos de satisfação em um baba.

Mas tem também quem gosta de testar o seu time contra o dos outros de forma mais séria. Em Salvador, tem babas que se organizam tanto que chegam a ter técnico e até treinamentos periódicos. Essa galera forma times para competições contra outros times do próprio bairro e também de outras comunidades.

E campeonato não falta por aí: tem de categoria sub-11 até torneio de masters, com os mais experientes boleiros da terra. Esses campeonatos movimentam os bairros e sempre tem um barzinho do lado de qualquer campo por aí. Afinal, tem que comemorar ou afogar as mágoas!

Quem quiser procurar onde jogar com os amigos, pode procurar os famosos campos do Lasca (Ribeira), Pronaica (Cajazeiras X), Pata-Pata (Fazenda Coutos) e campos espalhados por bairros cheios de boleiros dedicados, como Arenoso, Tancredo Neves, Boca do Rio, Barris, São Cristóvão e Alto do Cabrito. A de fora é minha!

* Nelson foi convidado pelo blog para postar um motivo pelo qual ama Salvador.

motivo #195

This entry was written by carolangom and published on July 14, 2013 at 8:48 am. It’s filed under esporte, Soteropolitanidades and tagged , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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