365 motivos para amar Salvador

3 de agosto – Capoeira

Por Carol Andrade

Capoeira no Forte da Capoeira (Foto: Rita Barreto/SeturBA)

Capoeira no Forte da Capoeira (Foto: Rita Barreto/Setur)

Ao contrário do que muita gente de fora imagina, a capoeira não está em todos os cantos de Salvador e nem todo soteropolitano sabe jogar. É até um pouco decepcionante para o turista, mas é possível que ele encontre mais rodas de capoeira no Rio de Janeiro do que na capital baiana. Hoje o dia é do capoeirista e por aqui a gente reconhece seu valor e tradição, já que ela está na história e na cultura da cidade, sendo parte fundamental no processo de luta e resistência do povo baiano. Mas naturalmente, foi ganhando força nacional e internacional e ultrapassou as fronteiras da Bahia, virou um símbolo brasileiro.

Quem é da terra já sabe de tudo isso, mas se você não é baiano, então é bom esclarecer: não, nenhum soteropolitano vai à praia e de repente abre uma roda para jogar capoeira entre amigos. A gente também não se reúne para jogar capoeira aos domingos no lugar do churrasco. E, por mais surpreendente que seja, a gente não aprende capoeira na escola (algumas até incluem a atividade no currículo da educação física, mas não é comum).

A verdade é que por aqui ela tem duas características bem definidas e quase opostas: 1) faz parte da atração turística da cidade e se concentra em lugares estratégicos para os turistas ou 2) é levada muito à sério, com muito respeito, em centros especiais de cultura afro ou escolas específicas.

O que a gente sabe muito bem é que não dá para considerar a capoeira como uma luta qualquer. É dança, arte e cultura, tudo junto e misturado. Até hoje seu desenvolvimento no Brasil é pesquisado, mas acredita-se que ela tem origem africana, mais especificamente da região da África Austral, hoje Angola, e chegou à Bahia pelos escravos bantos. Aqui ela foi aperfeiçoada e ensinada de um para o outro, especialmente nos quilombos e próximo às senzalas. Além de manter o equilíbrio físico e a própria cultura negra, a capoeira ajudou a aliviar o estresse do trabalho escravo. Até 1930 era proibida por lei no Brasil e ainda foi discriminada por muitos anos.

Talvez a capoeira tenha ganhado o mundo pela harmonia perfeita entre corpo, música, ritmo e força. E isso, não dá pra fugir, só podia ter saído daqui. Há quem fique hipnotizado com a malemolência, a coreografia e as piruetas da luta. E, sinceramente, dá um orgulho danado de ver uma roda tradicional e imaginar que por trás daqueles movimentos, há muita memória de Salvador e da Bahia.

A capoeira também se dividiu em duas vertentes: a de Angola – cujo precursor é o Mestre Pastinha – e a Regional, de Mestre Bimba. Elas se diferenciam especialmente pelo ritmo musical e estilo de movimentos. A primeira tem um ritmo musical mais lento e os golpes são mais baixos, além de carregar muita malícia. Já a segunda mistura a tal malícia com golpes mais rápidos e secos, sem nenhuma acrobacia.

Outro detalhe interessante está na roda, onde todos tem sua vez de jogar, em meio à cumplicidade e respeito. Todos também devem saber tocar os instrumentos e cantar em coro. Na música, o berimbau dá o timbre, mas ainda há os tambores, pandeiros, reco-reco, caxixi, agogô e atabaque, sem contar as palmas. E já viu que essa é a única luta do mundo que está intimamente ligada ao ritmo musical? Olha, é tanto assunto que mal cabe em um post.

Por isso, para quem se animou com o tema ou com a prática, a dica é visitar o Forte da Capoeira, no Santo Antônio Além do Carmo, onde funciona o Centro da Capoeira na Bahia. O lugar é referência na pesquisa e na memória da cultura capoeirista. E conta com biblioteca, restaurante, oficina de instrumentos, além de um espaço amplo para rodas de capoeira, com aulas para os interessados.

+ infos:
Bahia.com: Capoeira
Portal da Capoeira
Forte da Capoeira: Blog
Endereço: Praça Barão do Triunfo, Largo de Santo Antônio
Telefones: (71)3117-1488 e 71 3117-1492

motivo #215

This entry was written by carolangom and published on August 3, 2013 at 10:58 pm. It’s filed under esporte, Soteropolitanidades and tagged , , , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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