365 motivos para amar Salvador

5 de agosto – Praça da Sé

Por Carol Andrade*

Cruz Caída, de Mario Cravo Jr., um monumento em homenagem à demolição da igreja(Foto: Tereza Torres/Bahia Turismo)

Cruz Caída, de Mario Cravo Jr., um monumento em homenagem à demolição da igreja(Foto: Tereza Torres/Bahia Turismo)

Tem um detalhe na história da Praça da Sé um pouco traumático para os soteropolitanos: a nossa  Igreja da Sé, a Primacial do Brasil, foi demolida, em 1933, para abrir caminho para uma linha de bonde. Esse episódio está completando 80 anos, mas a “dívida” já foi parcialmente paga com o monumento da Cruz Caída, criado pelo artista Mário Cravo Jr., em 1999, em meio às comemorações dos 450 de Salvador.

A antiga igreja foi construída em 1553 e durante três séculos foi parte essencial da atividade religiosa e cultural da cidade. Com uma vista incrível para a Baía de Todos os Santos, a igreja ainda contava com um altar cheio dedetalhes em ouro, serviu de fortaleza para as invasões holandesas e ainda sediou uma homenagem à chegada do rei D. João VI e da corte real portuguesa. Ou seja, não dá para medir a importância daquele patrimônio para a cidade.

Praça da Sé, em julho de 2005 (Foto:  Reprodução/Uncle Kick-Kick/Flickr)

Praça da Sé, em julho de 2005 (Foto: Reprodução/Uncle Kick-Kick/Flickr)

Depois de muita discussão, a demolição foi permitida e abriu espaço para a trilha do bonde, que por capricho, agora passaria em linha reta. Para isso, a igreja veio abaixo à marretadas, dando lugar ao Belvedere da Sé, com espaço para lazer, cultura e turismo debruçado para a Baía. Sete anos depois, em 1940, a cidade inaugurou no mesmo lugar um terminal de bondes e algumas décadas depois foi substituído pela Estação da Lapa, em 1982. O final não foi dos mais felizes. Quando foi substituída, a Praça da Sé enfrentou o pior dos abandonos e caiu em degradação.

Depois do monumento da Cruz Caída e a nova vida que o lugar ganhou pelo comércio local, a gente considera esse trauma histórico de certa forma indenizado. Mas é bom relembrar,. Hoje, a Sé concentra alguns dos grandes pontos turísticos da cidade. O estratégico lugar de passagem entre a Praça Municipal, o Elevador Lacerda e o Terreiro de Jesus, no Pelourinho, lá funciona o Memorial das Baianas, o Palácio do Arcebispado de Salvador, além de quatro sítios arqueológicos (para o estudo das ruínas da antiga igreja).

Ainda dá para passear entre alguns dos mais interessantes patrimônios da praça como o prédio histórico da Coelba e o querido Cine Excelsior (que até a demolição da igreja era o antigo Cine São Jerônimo), entre algumas lojas de discos, restaurantes e bancos de praça que sempre servem de estacionamento de carrinhos de café por ali.

* Sugestão de Paula Paz.

+ infos:
Blog Memórias da Bahia: 80 anos da demolição da Igreja da Sé

motivo #217

This entry was written by carolangom and published on August 5, 2013 at 6:39 pm. It’s filed under arquitetura, igreja, passeio, Soteropolitanidades and tagged , , , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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