365 motivos para amar Salvador

18 de agosto – homem também rebola

Por Carol Andrade*

Os rapazes se entregam ao rebolado e descem até o chão (Foto: Reprodução/Dennys Costa/Bocão News)

Os rapazes se entregam ao rebolado e descem até o chão (Foto: Reprodução/Dennys Costa/Bocão News)

Aqui homem também rebola e desce até o chão. Eu não sei exatamente se isso acontece em outras cidades, mas definitivamente os rapazes soteropolitanos tem um gingado especial e uma liberdade de movimentos que ultrapassa as barreiras do preconceito.

A história vem de longas datas, talvez com a capoeira, e depois acentuada pelo hit Requebra do Olodum e pelo axé das antigas de Luiz Caldas. Mas foi o grupo É o Tchan que promoveu um trio de dançarinos nos anos 90 – composto rigorosamente por duas mulheres e um homem – para embalar suas coreografias Brasil a fora. Nesse império masculino da dança, Jacaré virou rei e influenciou outros tantos, de forma mais escancarada.

No É o Tchan, Jacaré promoveu o rebolado masculino de Salvador para o Brasil (Foto: Reprodução)

No É o Tchan, Jacaré promoveu o rebolado masculino de Salvador para o Brasil (Foto: Reprodução)

Aqui em Salvador, a performance da dança é quase que um símbolo da virilidade. O lance é tão estranho e ao mesmo tempo tão natural, que não é difícil encontrar uma roda de homem se acabando em um show ou até em posto de gasolina. Fato é que não precisa nem de mulher por perto, o esquema é meio independente, às vezes organizado, mas na maioria das vezes não.

Dos anos 90, época de Jacaré, para cá, o pagode dominou o Carnaval. A quebradeira foi muito bem representada no início dos anos 2000 por Xanddy, do Harmonia do Samba, quando ele ainda se entregava ao rebolado de pés descalços e tudo mais (alguém lembra esse detalhe?).

Mais recentemente veio Leó Santana e o Parangolé, com o tal do Rebolation, mas também não dá para esquecer Márcio Victor, no Psirico. Os meninos do pagode dominaram o rebolado.  Até que veio o arrocha invadindo as coreografias com a sua típica dancinha romântica e malemolente, e os homens mais uma vez se entregaram completamente. Um detalhe que chama atenção é que se o cara estiver acompanhado de uma cerveja, certamente o empenho coreográfico será potencializado.

A cidade é muito livre e aberta para ver um homem rebolando. A malemolência faz parte da nossa cultura e muitas vezes passa despercebida de tão natural. Ela é a cara das festas e está nas ruas, basta prestar atenção. Afinal, a terra do axé, do arrocha, da capoeira, do BTCA e do Bando de Teatro Olodum só podia ser a capital da dança, onde os moços são muito bem vindos.

No Youtube, não faltam vídeos de meninos dançando em coreografia. Boa parte tem garotos a frente, liderando os grupos, mostrando todo o potencial da dança. Olha a desenvoltura e organização do grupo Absurdos, por exemplo:

O interessante é que a única menina fica lá em segundo plano. E os rapazes são super vaidosos, né?

* Com sugestão de Mylanda Mota.

motivo #230

This entry was written by carolangom and published on August 18, 2013 at 8:46 am. It’s filed under Soteropolitanidades and tagged , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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