365 motivos para amar Salvador

25 de agosto – Ebó

Por Carol Andrade

Artigos de candomblé dominam a Feira de São Joaquim (Foto: GOVBA)

Artigos de candomblé dominam a Feira de São Joaquim (Foto: GOVBA)

Se você mora em Salvador certamente já deve ter se deparado com um ebó (ou feito um, talvez). Os ebós são rituais baseados nas religiões afro – candomblé e umbanda, e de forma geral, são oferendas aos orixás. Há quem não entenda, quem não concorde, quem argumente sobre a sujeira que fica acumulada na cidade, mas em todos os casos o respeito deve prevalecer. Afinal, eles são parte das tradições e já estão no cotidiano de Salvador há muitos anos.

Estão em cruzamentos de ruas e avenidas, em canteiros e lugares arborizados ou com muito verde. São feitos para os orixás, através, é claro, da natureza. Seus formatos mais comuns são uma combinação de artefatos de barro, bebidas, ervas, alimentos e velas, (dá para encontrar todos os materiais para um ebó em vários lugares espalhados por Salvador e a Feira de São Joaquim é bem tradicional neste comércio específico) mas esta não é a regra. Afinal, para fazer um ebó, é necessário se consultar com o sagrado, o espiritual, através do jogo de búzios. O ritual deve ser específico para cada pessoa e cada situação.

O ritual também segue um monte de regras que não devem ser quebradas. Todos os materiais, por exemplo, devem ser novos (nunca usados) e jamais devem ser substituídos. Ou seja, a receita deve ser levada ao pé da letra. Tudo com muita fé.

O objetivo do ritual é equilibrar alguns aspectos da vida, como amor, saúde, prosperidade, profissão, família etc. E ao contrário do que muitos imaginam, um ebó não deve ser usado para fazer o mal a ninguém, já que de acordo com a crença (e como quase tudo nessa vida), o pensamento negativo atrai as más vibrações.

A prática é tão comum lá na Feira de São Joaquim, que alguns comerciantes oferecem um serviço um tanto quanto inusitado: o disque ebó. Das coisas que só existem nesta cidade! Mas esse delivery é criticado pelos pais e mães de santos, já que na tradição, nenhuma oferenda pode ser preparada sem orientação espiritual. Os comerciantes, por sua vez, acreditam que depois de tanta experiência no ramo, já entendem como o ritual funciona. Eaí, basta ligar que o ebó chegará logo em breve na sua casa.

No curta-metragem Tudo que você gostaria de saber sobre macumba e nunca teve coragem de perguntar, produzido pelo Núcleo de Comunicação Popular e Comunitária da AlmA, dá para entender um pouquinho mais a velha tradição.

+ infos:
Folha de S. Paulo: Quem faz ebó para prejudicar se dá mal, diz “Tudo o que Você Precisa Saber sobre Umbanda”
Sobre o curta-metragem: Vila Cultural AlmA Brasil
Blog: O Candomblé
Correio 24h: Disque ebó: comerciantes recebem pedidos por telefone e entregam em casa

motivo #237

This entry was written by carolangom and published on August 25, 2013 at 11:50 pm. It’s filed under Soteropolitanidades and tagged , , , , , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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