365 motivos para amar Salvador

29 de agosto – Michael Jackson também é nosso

Por Carol Andrade

Michael Jackson levou o Olodum e o Pelourinho para os quatro cantos do mundo (Foto: Reprodução)

Michael Jackson levou o Olodum e o Pelourinho para os quatro cantos do mundo (Foto: Reprodução)

“Michael, Michael, eles não ligam pra gente!”. Assim começa um dos mais clássicos videoclipes de Michael Jackson. O Rei do Pop, como ficou conhecido, faria 55 anos hoje se estivesse vivo. O clipe da música They Don’t Care About Us, gravado no Brasil, em 1996, teve participação especial do Olodum e levou o Pelourinho para os quatros cantos do mundo.

Gravado na favela de Santa Marta, no Rio de Janeiro, e no Pelourinho, a maioria das cenas do vídeo mostraram mesmo a capital baiana. A gente até pode dizer que foi em Salvador que Michael Jackson caiu, mas levantou a poeira e deu a volta por cima. Brincadeiras à parte, naquele dia em fevereiro de 1996, o Pelourinho foi todo fechado. Só passava por lá quem estava hospedado na área ou quem era morador, comprovando com documentos.

Quem não se orgulha de ter um amigo do amigo que acompanhou as gravações e contou algumas curiosidades? Uma delas, por exemplo, é que no alto do Pelô, imensos tecidos brancos cobriam todos os locais por onde passaria o astro, para filtrar os raios solares e preservar a pele já muito sensível do cantor.

Na sacada do lugar que ficaria conhecido como Casa do Michael (Foto: Reprodução)

Na sacada do lugar que ficaria conhecido como Casa do Michael (Foto: Reprodução)

Vestido com uma icônica camiseta do Olodum, Michael Jackson não parou. Uma energia sem fim, de tirar o fôlego. Ao redor, fãs enlouquecidos gritavam desesperados. Entre o preto, vermelho, amarelo e verde dos tambores, das roupas, dos enfeites no cabelo, Salvador aparece mais suingada do que nunca sob a voz de um dos fenômenos pop de todos os tempos. O Olodum ainda deu um tom diferente ao ritmo, entre o samba-reggae, o axé e o hip hop, que destacou a música de forma bem particular do resto da obra do artista.

A música mais politizada de Michael Jackson virou um dos hinos da injustiça social, ganhou polêmica na época e foi severamente criticada pela imprensa internacional. Chegou, inclusive, a ganhar outro clipe. Mais sério, mais violento, que se passa numa prisão norte-americana. Acabou sendo censurado por lá. Por aqui, só alegria. Tem criança, tem gritaria, tem dança, tem tambores do Olodum, tem até fã quebrando a cerca de segurança e derrubando Michael Jackson nos paralelepípedos centenários do Pelô. Como não amar?

Depois desse clipe, a vida de muitas pessoas mudaram profundamente. Levantar o tambor sobre a cabeça, por exemplo, virou a marca registrada do percussionista Bira Jackson. O apelido que ficou para sempre também surgiu depois daquele dia. O menino que dançou com Michael, passou a ser reconhecido por… adivinha? Ser o menino que dançou com Michael. O nome dele é Jason Wilde de Jesus Queiroz e na época tinha apenas 12 anos. Contou para o G1, que quando percebeu a mão do cantor no ombro, não pensou muito e caiu na dança junto com o rei, no meio da roda formada por fãs e integrantes do Olodum.

Enérgico, Michael Jackson dança, canta e até cai com o Olodum ao fundo (Foto: Reprodução/Katia Lombardi/Folha Imagem)

Enérgico, Michael Jackson dançou, cantou e até caiu com o Olodum e Bira Jackson, de colete, ao fundo (Foto: Reprodução/Katia Lombardi/Folha Imagem)

O próprio Pelourinho nunca mais foi o mesmo. A loja Casa Número 8, onde o artista cantou na sacada, virou a Casa do Michael. Seu Carlos, que comanda o estabelecimento, lucra até hoje com souvenirs daquela gravação. Da famosa camiseta do Olodum à fotos reveladas, da época em que as máquinas ainda eram analógicas. Depois de comprar alguma lembrancinha na loja, também é possível subir na mesma varanda e até tirar umas fotos.

Se no vídeo tudo parece lindo, alegre e colorido, as gravações foram um sufoco. Especialmente no Rio, já que as autoridades não queriam permitir que a imagem da cidade ficasse associada à favela. Por aqui, a polícia, de farda azul marinho na época, foi bem provocada pelo cantor, que cantou no pé do ouvido e fez careta para os fardados.

Spike Lee, diretor do videoclipe, e um dos maiores cineastas do tema afro-americano, voltou para a cidade neste ano para gravar um documentário em meio ao nosso Carnaval. Não querendo colocar zica no trabalho dos outros, mas é bem provável que nada supere o clássico They Don’t Care About Us, pelo menos não para o Olodum, nem para o Pelourinho, nem para os soteropolitanos.

Veja o clipe, gravado aqui:

#motivo #241

This entry was written by carolangom and published on August 29, 2013 at 11:18 pm. It’s filed under música, Soteropolitanidades and tagged , , , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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