365 motivos para amar Salvador

30 de agosto – Fontes da Cidade

Por Carol Andrade*

Fonte do Dique do Tororó, uma das mais antigas e também uma das mais conservadas da cidade (Foto: Reprodução)

Fonte do Dique do Tororó, uma das mais antigas e também uma das mais conservadas da cidade (Foto: Reprodução)

Em uma breve pesquisa pela internet, o número de fontes de água natural em Salvador chega a surpreender. Elas estão espalhadas em toda a cidade: em Brotas, no Comércio, em Mont Serrat, no Barbalho, na Avenida Contorno, na Graça, no Cabula, na Federação, em Nazaré, na Ondina,  no Dique do Tororó, entre outros tantos bairros. Foram fundamentais na construção da cidade, já que a abundância das águas doces abasteceram a população soteropolitana nos tempos coloniais. Hoje, mais de 35 fontes resistem ao tempo e ao descaso.

Outras tantas sumiram ao longos dos tempos. Você, sabia, por exemplo, que já existiu uma fonte nas proximidades do Farol da Barra? Das ainda “vivas”, muitas estão em terreiros de candomblé, ou em áreas particulares, outras tantas em espaços públicos. Algumas chegaram a ser tomabadas pelo Iphan ou por Decreto Estadual.

Fonte Chega Nego, ou Biquinha, que fica na orla,na altura da Ondina (Foto: Reprodução/ Google Street View)

Fonte do Chega Nego, ou Biquinha, que fica na orla,na altura da Ondina (Foto: Reprodução/ Google Street View)

Por mais que sejam utilizadas por diversos fins como cultos religiosos, banho, lavagem de carros, roupas, serviços domésticos, e até milagre, as fontes não são há muito tempo apropriadas para beber. Mas um detalhe chama atenção: boa parte delas, por mais abandonadas que estejam, ainda são utilizadas pela população.

Não dá para listar aqui todas as fontes, mas é bacana destacar algumas das mais famosas ou mais importantes. Muitas estão no caminho para o trabalho, no caminho para a faculdade ou escola, e quase ninguém percebe. Nem se dá conta da importância histórica que elas tiveram – e de certa forma, ainda têm – para a cidade. O blog selecionou dez:

  • Fonte da Pedreira ou da Preguiça (Avenida Contorno): esta é uma das mais antigas da cidade. Tem uma gravura, onde se destaca o ano de 1851 como data de uma reforma. Usada por moradores da região para lavagem de carro e roupas, além de banho.
  • Fonte da Graça (Rua Almirante Japiaçu, Graça): é também uma das mais antigas fontes, construída ainda no século XVI. Reza a lenda que a índia Catharina Paraguaçu tomava banho neste lugar. Por estar localizada em uma região tradicional da cidade, serviu como ponto de encontro (na época em que ainda se fazia piquenique em Salvador!) para famílias ricas. Desde 1913 é assim como a gente conhece hoje. Ganhou grades e é conservada por moradores da região.
  • Fonte do Dique do Tororó (Dique do Tororó): foi construída em 1875 pelos engenheiros Antônio e Augusto Lacerda, os mesmos que projetaram o Elevador Lacerda. Tombada por Decreto Estadual e o lugar onde está situada é tombada pelo Iphan. Tem estilo cacimba, com dois poços verticais de tijolinhos geminados, executados em alvenaria de pedra. É um dos monumentos de fonte mais bem conservados, mas é usado pela população.
  • Fonte do Estica (Rua Coronel Tupy Caldas, Liberdade): na falta de água encanada, esta fonte ainda é responsável pelo abastecimento da maioria da população do bairro. É mais moderna, ganhou corrimão de ferro e é revista de azulejos. Tem a estrutura abaixo do nível da rua e apresenta saída de água em PVC. Com vazão de água constante, é bastante usada pela comunidade para banhos, lavagem de carros, roupas, até para beber e para lazer.
  • Fonte de Santa Luzia (Rua do Pilar, Comércio): está localizada dentro da Igreja de Santa Luzia. A tradição conta que as águas são milagrosas quando o assunto são os olhos. Afinal, Santa Luzia é conhecida como a protetora da visão. Com vazão perene, a busca por suas águas milagrosas é constante. O uso é exclusivo para lavar os olhos ou beber. Apresenta três bicas de saída de água e a fachada é trabalhada em pedras.
  • Fonte Nova ou Fonte das Pedras (Avenida Vasco da Gama, Tororó): sim, deu nome à nossa arena e toda aquela região. Com vazão constante, abastecia os moradores até a década de 70. Hoje é usada para lavagem de carros e roupas, além de banhos.
  • Fonte do Chega Nego, conhecida como Biquinha (Avenida Oceânica, Ondina): bem na orla, é muito capaz que você já tenha passado por ela, sem nem perceber. É um monumento dos anos 20, do século XX, e fica no sopé do Morro do Chapéu de Couro (nomes mais criativos não existem, né?). Pequenina, serve até hoje para os banhistas lavarem os pés depois da praia.

E ainda tem a Fonte do Gabriel ou Unhão (no Solar do Unhão), a Fonte do Gravatá (Nazaré), a Fonte de São Pedro (na ladeira da Concha Acústica), Fonte Vista Alegre de Baixo (Vista Alegre) e até dentro do Campus de Ondina, na UFBA, mais especificamente no Instituto de Biologia, conhecida como a Fonte de Biologia.

A gente torce para que as fontes que nos restam não sumam e sejam preservadas tanto pelos poderes públicos, quanto pelas comunidades e moradores. Algumas estão numa situação bem triste, mas como o blog tem a proposta de tentar ver o lado bom das coisas desta cidade, pelo menos temos algumas histórias para contar e alguns nomes engraçados para dar risada.

* Sugestão de Luciano Matos.

+ infos:
Artigo (bem completo) na Revista Interdisciplinar de Gestão Social (RIGS): As Fontes na Cidade de Salvador
Blog: Fomos no Tororó

motivo #242

This entry was written by carolangom and published on August 30, 2013 at 10:24 pm. It’s filed under arquitetura, esconderijo, Soteropolitanidades and tagged , , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

3 thoughts on “30 de agosto – Fontes da Cidade

  1. Delson Borges de Araujo. on said:

    Carol, Nasci e me criei no bairro do Rio Vermelho, mais exatamente no Alto da Sereia, ai bem pertinho dessa bendita Fonte do Chega Nego, que, com sua deliciosa água, muito saciou a minha sede e de minha turma. Todo aquele morro que fica atrás dela, nós chamávamos de Roça do Governo, onde bebíamos muita água de coco e comíamos muitas frutas, na ausência dos vigias. Chapéu de Couro era um vigia, que morava neste morro e, que, todo final de semana dava uma festa com sanfona, bandeiro, tamborim, tudo isso a luz de candeeiro. Às vezes tinha confusão.
    À propósito, lancei um romance, ” Vidas em Conflitos “, e que o personagem principal.” morou ai na Areia Preta ( uma invasão que existia ao lado da praia da Bacia das Moças.) Este personagem passeia por todo centro de Salvador, cantando em boates de prostitutas e bares, nas madrugadas de Salvador, na década de 60.
    Parabéns.

    • Oi Delson! Que história incrível! Onde a gente acha o seu livro? Obrigada pelos detalhes enriquecedores e suas memórias. Volte sempre por aqui!

      • Delson Borges de Araujo. on said:

        Carol, bom dia,
        O meu romance ” Vidas em Conflitos ” pode ser adquirido na Video Hobby da Pituba ou diretamente comigo, ao preço de trinta reais. Meu e-mail: delson-47@hotmail.com. telf. 71- 88884744 (oi) e 99618722 (vivo).
        Abraço Delson.

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