365 motivos para amar Salvador

30 de outubro – Solares

Por Carol Andrade

O Solar do Unhão que abriga o nosso MAM tem um dos endereços mais incríveis da cidade (Foto: Reprodução)

O Solar do Unhão que abriga o nosso MAM tem um dos endereços mais incríveis da cidade (Foto: Reprodução)

Uma cidade tão antiga e arquitetônica como a nossa foi construída praticamente pelas igrejas. A gente até pode dizer que as primeiras obras de Salvador são religiosas, comprovando que a capital baiana é de todos os santos e encantos. Bom, logo depois chegaram as pequenas casinhas, ao estilo porta e janela, as grandes casas, e ainda os palácios e os solares. Ou vai me dizer que você nunca ouviu falar no Solar do Unhão, Solar do Ferrão, Solar Boa Vista?

Os solares são nada mais que casas muito confortáveis que serviam de moradia para família nobres. Pela tradição, nossos solares ganharam os sobrenomes dos soteropolitanos  ricos especialmente dos século 17 e 18. Em Salvador, temos tantos solares que dá até para fazer um guia. São pelo menos 15 e todos com sua história ou sua arquitetura especial. Naturalmente, alguns foram transformados e adaptados. Outros, infelizmente, ficaram abandonados.

Beleza e decadência: o Solar Amado Bahia é daquelas obras hipnotizantes, sabe? (Foto: Reprodução)

Beleza e decadência: o Solar Amado Bahia é daquelas obras hipnotizantes, sabe? (Foto: Reprodução)

Este é o caso do Solar Amado Bahia, que fica na orla da Ribeira. Provavelmente este é um dos mais modernos solares (construído em 1901) da nossa cidade. É uma obra de tirar o fôlego pelos detalhes e chama atenção ao lado das outras construções. O clima é estranho, mistura beleza e decadência, sabe? O casarão foi todo construído de ferro fundido importado da Inglaterra e piso de mármore carrara. Hipnotizante.

Outras histórias, mais antigas, também rondam os solares da cidade. Um dos mais velhos, o Solar do Berquó, já foi palco de um dos maiores crimes políticos da cidade. Afinal, ali o herói Independência da Bahia, o militar Felisberto Gomes Caldeira, foi assassinado. Hoje é sede da Superintendência do Iphan na Bahia e fica ali na Barroquinha. O professor, historiador e pesquisador Cid Teixeira escreveu sobre ele: “do século XVII, é das mais antigas edificações que estão aqui e, até hoje é um enigma para os estudos de história da arquitetura”. Parece que sua planta é bem complexa e interessante.

Solar Ferrão é dos mais antigos de Salvador e guarda um crime político histórico (Foto: Divulgação/GovBa)

No Pelourinho, o Solar Ferrão é dos mais antigos de Salvador e hoje funciona também como sede do IPAC (Foto: Divulgação/GovBa)

São tantos solares, que, claro, não cabe em um único post. O próprio Solar Boa Vista, lugar dos mais legais da cidade para shows, guarda suas histórias. De residência, à hospital psiquiátrico, ele também foi a primeira sede da prefeitura de Salvador, e até bem pouco tempo atrás, ainda 2013, antes de um incêndio, funcionava a sede da Secretaria da Educação do Município de Salvador.

Outro bem antigo, talvez o mais velho de todos, é o Solar Ferrão. Construído pelo comerciante José Sotero Maciel de Sá Barreto, levou, inicialmente, o nome de Solar do Maciel. Mas tempos depois foi arrematado por Joaquim Inácio Ferrão de Aragão. Daí em diante funcionou como residência de famílias nobres, teatro e sede do Centro Operário. Atualmente funciona a sede administrativa do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC).

O Solar do Conde dos Arcos hoje faz parte do Colégio Dois de Julho, no Garcia (Foto: Reprodução/SkyCraperCity)

O Solar do Conde dos Arcos hoje faz parte do Colégio Dois de Julho, no Garcia (Foto: Reprodução/SkyCraperCity)

O Solar do Unhão, com endereço dos mais privilegiados da cidade, é do século 16. Na época, tratava-se de um complexo agroindustrial de produção de açúcar. Com direito a senzala, casa-grande, a Capela Nossa Senhora da Conceição, azulejos portugueses e fonte. Hoje, abriga o nosso Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), o Jam no Mam e um dos pores-do-sol mais incríveis de Salvador.

O Solar Marback, no pé da Colina do Bonfim, pertenceu à própria família de origem inglesa por mais de cem anos e, parece que há pouco tempo foi vendida. Branca e cheia de janelas, como a maioria dos solares, possui 19 cômodos.

O próprio Espaço Caixa Cultural Salvador, o Museu de Arte da Bahia, o colégio Dois de Julho, todos nasceram de um solar, com direito à sobrenomes nobres. A maioria resiste com novas funções, mas mantendo seus padrões elegantes, de arquitetura colonial. Agora já dá para dizer que esta é a cidade dos solares.

+ infos:
Cid Teixeira: Solares da Bahia
Bahia.com: Palácios e Solares

motivo #303

This entry was written by carolangom and published on October 30, 2013 at 4:18 am. It’s filed under arquitetura, passeio, Soteropolitanidades and tagged , , , , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

2 thoughts on “30 de outubro – Solares

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