365 motivos para amar Salvador

18 de novembro – Irmã Dulce

Por Carol Andrade

Irmã Dulce, conhecida como o Anjo Bom da Bahia, pode se tornar a primeira santa católica nascida no Brasil (Foto: Divulgação/IrmaDulce.org)

Irmã Dulce, conhecida como o Anjo Bom da Bahia, pode se tornar a primeira santa católica nascida no Brasil (Foto: Divulgação/IrmaDulce.org)

Quando o assunto é solidariedade, é impossível esquecer de uma das maiores personalidades soteropolitanas do último século. A freira mais amada dessa cidade teve uma história cheia de detalhes especiais e muitos atos de amor. Corajosa e com um coração imenso, Maria Rita – este era seu nome de batismo – já se voltava para a fé e para os pobres desde muito nova, aos 13 anos. Tempos depois, ficou conhecida como O Anjo Bom da Bahia. E agora, nossa querida irmã Dulce está muito próxima de se tornar a primeira santa católica nascida no Brasil.

Primeiro, é importante ressaltar o carinho que a cidade tem por ela. A fé que o soteropolitano tem em irmã Dulce não é por menos. Foram muitos anos de compaixão e dedicação que resultaram nas Obras Sociais Irmã Dulce. A instituição hoje é denominada como o maior complexo gratuito de saúde brasileiro. Mas a história é até um pouco inusitada. Isso porque a instituição começou em um galinheiro. Calma, que explico. Por anos, Irmã Dulce atendeu enfermos de forma quase improvisada, mas o que ela mais desejava era um lugar acolhedor para abrigar as tantas pessoas que precisavam de tratamento e não podiam pagar por isso.

Chegou a invadir algumas casas da Ilha dos Ratos para abrigar doentes que recolhia das ruas, mas não demorou muito para ser expulsa. Isso aconteceu no final da década de 30 e em seguida passou muitos anos levando seus doentes para onde podia. Somente em 1949, Irmã Dulce finalmente foi autorizada a ocupar uma pequena área ao lado do convento das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus.

A superiora liberou, portanto, o galinheiro para que a Irmã cuidasse dos seus 70 enfermos. Aquilo seria a semente do maior hospital já construído na Bahia. Ao longo dos anos, através da instituição, foi instalado o Albergue Santo Antônio, depois o Hospital Santo Antônio e ainda vários centros (de pesquisa, ensino, reabilitação e mais), o Hospital da Criança, um memorial. Ufa.

Mas a prévia de toda essa grande estrutura começou no portão de casa, na Rua da Independência, 61, bairro de Nazaré. Foi lá, aos 13 anos, que Maria Rita, com o apoio da sua irmã mais velha, Dulcinha, e seu pai, o dentista e professor da Universidade Federal da Bahia, Augusto Lopes Pontes, transformaria sua simples casa num pequeno centro de atendimento à mendigos e doentes. Ela já parecia decidida sobre seu destino e desde então nunca parou de ajudar os pobres, doentes e necessitados.

Sua força de vontade atravessou os mares e, na implantação do Albergue Santo Antônio, teve suas ações reconhecidas nos Estados Unidos através de uma reportagem especial no jornal The Catholic World. Mas, claro, seu carinho e dedicação aos pobres foram naturalmente ganhando as ruas de Salvador e rapidamente do Brasil. Irmã Dulce, em 1988, foi indicada ao Nobel da Paz pelo então presidente da república, mas não chegou a ganhar. Ela passou os últimos 30 anos da vida com a saúde fragilizada – já tinha 70% da capacidade respiratória comprometida – mas continuou trabalhando pelo próximo até chegar ao seu limite físico. Morreu em 13 de março de 1992, pouco antes de completar 78 anos.

Suas Obras Sociais passaram décadas sobrevivendo exclusivamente por conta de doações e apoio voluntário de médicos, amigos e quem acreditava e podia investir na instituição. Pelo bem da estrutura, que só fez crescer desde sua construção, irmã Dulce acabou convencida a firmar parceira com a Previdência Social. Atualmente a instituição presta assistência médica, social e educacional à população em geral. No geral, são 5,5 milhões de atendimentos por ano.

Irmã Dulce, beatificada em maio de 2011, recebeu o título de bem-aventurada Dulce do Pobres, e está agora em processo de canonização. O primeiro milagre atribuído a ela foi um caso em Itabaiana, em Sergipe, em 2001. Depois do parto, Cláudia Cristiane dos Santos sofreu uma hemorragia e foi desenganada pelos médicos. A intercessão da religiosa teria acontecido depois que um padre devoto de irmã Dulce rogou à freira pela paciente e ela sobreviveu.

Para se tornar definitivamente santa, um novo milagre deve ser comprovado. Nessa fase, vários relatos sobre as graças alcançadas com intercessão da irmã estão sendo recolhidos. Por aqui, não faltam graças. Sua vida em função dos pobres e doentes, sua dedicação às Obras Sociais, sua atenção às crianças e coragem de lutar pelo próximo já são uma série de milagres no coração de Salvador.

* Sugestão de Mylanda Mota.

+ infos:
Irmã Dulce: Site
Blog Memórias da Bahia: O anjo bom da Bahia
G
1 Bahia: BA comemora 2 anos de beatificação de Irmã Dulce, nesta quarta-feira (22)
Folha de S. Paulo: Perícia elege milagres para canonizar irmã Dulce

motivo #322

This entry was written by carolangom and published on November 18, 2013 at 1:05 am. It’s filed under instituição and tagged , , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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