365 motivos para amar Salvador

21 de novembro – Preto Velho

Por Carol Andrade

O Preto Velho do Rapé, que morreu na noite de quarta (20), era uma figura querida e curiosa do Pelourinho(Foto: Reprodução/João Santiago/Olhares Uol)

O Preto Velho do Rapé, que morreu na noite de quarta (20), era uma figura querida e curiosa do Pelourinho(Foto: Reprodução/João Santiago/Olhares Uol)

O post de hoje é um lamento. Na noite de ontem, no Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, uma das figuras mais fantásticas do Pelourinho, o Preto Velho, morreu aos 91 anos. Câncer de próstata. Fiquei triste não só pela notícia em si, mas, principalmente – confesso – por ter atrasado tanto a sua pauta, a ponto de não dar mais tempo de conhecê-lo. E me dei conta de que já estamos em novembro e tantos outros personagens espalhados por esta cidade tão encantadoramente estranha ficarão de fora desses 365 motivos para amar Salvador.

Não é justo, mas é compreensível. São muitos personagens especiais. Enquanto as construções, museus, igrejas, avenidas, restaurantes, praias e outros tantos lugares compõe o cenário de Salvador, os moradores da terra, os comportamentos e o cotidiano são essenciais para manter a cidade viva.

Mas são justamente as pessoas, comportamentos e cotidianos que não se demoram por tanto tempo e nem deveriam. A cidade só é do jeito que é, ou está do jeito que está – tanto pelo lado positivo, quanto pelo negativo – por conta de cada um desses personagens (somos todos nós). E fico ainda pensando quantas oportunidades, além do Preto Velho, deixei passar ou terei que deixar passar porque, afinal, não tem como dar conta de cada um. Lamento.

São esses personagens, com suas histórias incríveis, emocionantes ou curiosas, que alimentam um sentimento de pertencimento e interesse na cidade. Imagino, por exemplo, o que os 91 anos do Preto Velho testemunharam no Pelourinho e quantos detalhes ele poderia nos dizer. O apelido, dizem, surgiu do estilo. Ele não abandonava o chapéu e o cachimbo e vivia por perto de uma placa esquisita e engraçada: “Use o famoso rapé do Preto Velho. Contra sinusite, resfriados, roncaria, enxaqueca, dor de cabeça e outros males”.

Com a barba toda branca em contraste com a pele negra, era figurinha carimbada na saída do bloco Os Filhos de Gandhy. Tão especial que a diretoria do afoxé divulgou uma nota de pesar para a imprensa. Estivador e camelô, acabou montando seu próprio bar na Rua Gregório de Matos e era conhecido por todos da região. Sua fama atraiu turistas e curiosos pelo rapé-cura-tudo. Domingos Teixeira Lemos – era o nome dele – tinha seus caprichos. Não se deixava fotografar assim à toa. Só se o fotógrafo comprasse o seu rapé. Ele descobriu o câncer há três anos e morreu em casa.

+ infos:
G1 Bahia: Morre Domingos Lemos, o ‘Preto Velho’ do Pelourinho, afirma família

motivo #325

This entry was written by carolangom and published on November 21, 2013 at 12:55 am. It’s filed under personagens, Soteropolitanidades and tagged , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

One thought on “21 de novembro – Preto Velho

  1. Ian F Freire on said:

    Carol,
    Gosto da sua simplicidade! Mesmo reconhecendo o fato de não ter conseguido realizar a entrevista, vc consegue comunicar o motivo! 365 é uma referência que denomina o blog. Mas vc nos remete sempre para um número muito maior de motivos! A Baia de Todos os Santos agradece! Parabéns!

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