365 motivos para amar Salvador

24 de novembro – Falha de Salvador

Por Carol Andrade

A nossa cicatriz de nascença, ou Falha de Salvador, é um dos nossos maiores charmes (Foto: Reprodução)

A nossa cicatriz de nascença, que divide a Cidade Alta e a Cidade Baixa, é um dos nossos maiores charmes (Foto: Reprodução)

Há quem ainda esbraveje aos quatro ventos sobre como Salvador é cheia de problemas. Aliás, conseguir passar por cima de tanta reclamação foi um dos grandes desafios desse projeto. Acontece que estamos chegando à reta final e resolvi prestar uma singela homenagem à maior falha de Salvador. Sim, porque quando a gente ama, é importante levar em consideração o pacote completo. E isso envolve tanto as maravilhas, quanto os maiores defeitos. E, pelo menos nesta cidade, uma falha também pode ser amada, como é o caso da nossa escarpa.

De barco, lancha ou de ferry-boat, olhe em direção ao Elevador Lacerda e perceba o enorme paredão formado por uma rocha e alguma vegetação. Esta falha geológica ficou conhecida como Falha de Salvador. De acordo com o Serviço Geológico do Brasil, ou CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais), o movimento que formou esse desnível aconteceu há mais ou menos 145 milhões de anos, no início do período Cretáceo. Mas as rochas que se deslocaram ainda são mais antigas, datadas do período Pré-Cambriano.

Isso quer dizer que Salvador nasceu com esse defeito, se formou com essa cicatriz e chegou até a se aproveitar dela, em antigas batalhas, por conta dessa fortaleza natural. Não é louco imaginar que uma enorme muralha que separa duas regiões da cidade tão nitidamente nos serviu de proteção? Hoje, o que a falha pode nos oferecer é todo seu charme geológico e os ascensores mais famosos do nosso país.

Entenda a nossa falha de forma técnica (Imagem: Reprodução/ CPRM/Petrobras)

Entenda a nossa falha de forma técnica (Imagem: Reprodução/ CPRM/Petrobras)

Se em épocas mais primitivas, a única forma de descer ou subir era por ladeiras – e pensar que a cidade foi basicamente construída assim!) -, só a partir do século 19, essa realidade mudou.

Graças à engenharia e todos os avanços, os planos inclinados e o Elevador Lacerda surgiram para facilitar a vida de quem precisava se deslocar de uma região para a outra.

A Falha de Salvador mede cerca de seis mil metros, mas a gente não percebe essa dimensão. O Elevador Lacerda – do seu poço até a torre – mede 103 metros. Ué? E os outros cinco mil e tantos metros?. É que você para entender essa diferença de níveis, é preciso considerar a Baía de Todos os Santos e todas as suas camadas mais profundas. É só você pensar em um gigantesco degrau.

Sabe aquela rocha que a gente vê quando olha para o Elevador Lacerda? Pois bem, tem uma igualzinha bem embaixo da Baía de Todos os Santos. Aliás, tudo que fica sobre esse “degrau”, incluindo a própria baía, faz parte de um entulhamento natural, chamado de entulho da calha formada pelo desnível geológico.

O engraçado é imaginar que uma falha, uma cicatriz tão profunda, dividiu a cidade para todo o sempre em Cidade Alta e Cidade Baixa.

+ infos:
CPRM/Petrobras – Salvador: Cidade Alta e Cidade Baixa, por quê?

This entry was written by carolangom and published on November 24, 2013 at 1:34 am. It’s filed under Baía de Todos os Santos, Soteropolitanidades and tagged , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

2 thoughts on “24 de novembro – Falha de Salvador

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