365 motivos para amar Salvador

27 de novembro – Terreiro Ile Axé Oxumaré

Por Carol Andrade

Charmosa e graciosa, a Casa de Oxumaré é um dos terreiros mais antigos e tradicionais de Salvador e a partir de hoje é tombado pelo IPHAN (Foto: Reprodução)

Charmosa e graciosa, a Casa de Oxumaré é um dos terreiros mais antigos e tradicionais de Salvador e a partir de hoje é tombado pelo IPHAN (Foto: Reprodução)

O dia teve notícia boa e importante para Salvador em dose dupla. Isso porque nesta quarta-feira (27), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), com sede em Brasília, avaliou e decidiu tombar o nosso já amado Teatro Castro Alves, pela importância arquitetônica e cultural, e o terreiro de candomblé Ile Axé Oxumaré, ou simplesmente Casa de Oxumaré, pela história, tradição, compromisso social e cultura afro religiosa.

Se a gente falou lá atrás do TCA, agora é o momento certo para encher o coração de orgulho de um dos mais antigos e tradicionais terreiros de candomblé da Bahia. O lugar também é conhecido por fazer parte do conjunto das casas matrizes responsáveis pela construção da religiosidade afro-baiana, ou melhor, afro-brasileira. Afinal, a história da Casa de Oxumaré está ligada à formação do candomblé no Brasil.

A localização do terreiro nem sempre foi fixa, por conta da luta e resistência e a casa precisou trocar de endereço e até de cidade. Por isso, se formos considerar a sua origem, é possível dizer que a Casa de Oxumaré tem quase 200 anos de existência. O inusitado é que em meio ao amontoado de lojas, comércio e casinhas da Avenida Vasco da Gama, uma escadaria nos leva a este canto tão especial e significativo. Assim, longe do centro e em um lugar totalmente inusitado, o terreiro realiza suas atividades, que inclui projetos sociais para além das suas funções religiosas.

Distribuição de cestas básicas, atendimento jurídico, curso de inclusão digital, palestras, e atividades educacionais são o ponto alto do compromisso social que a casa tem com os moradores daquela região da Vasco da Gama e Federação. Mas o principal é que bem ali pessoas de todas as idades aprenderam a valorizar a cultura negra e preservar suas histórias mais bonitas e tradições. Motivo de orgulho, sem dúvidas.

O início de tudo começou ainda no final do século 18 e início do século 19, na cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano. Seu fundador, o ex-escravo Manoel Joaquim Ricardo, Babá Talabi, se reunia com outros negros e começava o culto à Ajunsun, praticado no Calundu do Obitedó. Desde 1905 a casa funciona no mesmo lugar onde conhecemos hoje. Antiga Mato Escura, hoje bairro da Federação, com escadaria para a Vasco da Gama.

A Casa de Oxumaré foi responsável por iniciar grande número de filhos de santo contribuindo para a difusão do candomblé no Brasil. Muitos deles se tornaram grandes Babalorixás e Ialorixás. Foi nos anos 50 que as paredes de taipa e adobe deram lugar a alvenaria. Na mesma época, a casa começou a atrair intelectuais, antropólogos e artistas. A história do lugar é bem bonita e carregada de força de vontade, fé e acolhimento. Por aqui, nos orgulhamos pelo tombamento, mais do que merecido em tantos anos de resistência e fé.

+ infos:
Casa de Òsùmàrè (tem história, localização e calendário de festas em um site bem completo)
G1 Bahia: IPHAN tomba o Teatro Castro Alves e Terreiro de Oxumaré em Salvador

 motivo #331

This entry was written by carolangom and published on November 27, 2013 at 1:18 am. It’s filed under cultura afro, Soteropolitanidades and tagged , , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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