365 motivos para amar Salvador

30 de novembro – Bando de Teatro Olodum

Por Carol Andrade

Com 23 anos de existência, o Bando de Teatro Olodum valorizou o teatro negro em Salvador (Foto: Reprodução)

Com 23 anos de existência, o Bando de Teatro Olodum valorizou o teatro negro em Salvador (Foto: Reprodução)

Novembro vai chegando ao fim e para encerrar o mês em que a gente comemora o Dia da Consciência Negra, nada melhor que fechar com chave de ouro e trazer para esta compilação de motivos um dos grupos de teatro mais importantes de Salvador: o Bando de Teatro Olodum, que completa neste ano 23 anos de existência.

O grupo surgiu lá em 1990 depois de uma inquietação do diretor Márcio Meirelles sobre a ausência de atores negros nos palcos de teatro em Salvador. Não só falta de atores, mas também de histórias, dramaturgias e narrativas que traduzissem as nossas heranças africanas. Logo, o convite foi feito e aceito pelo Olodum e o grupo foi acolhido na sede do bloco, no Pelourinho. Nascia o Bando, com corpo exclusivamente negro de artistas que a partir de agora podiam escrever e falar sobre suas próprias tradições.

O novo grupo de teatro aceitava atores mais ou menos experientes, e até amadores, mas também tinha algumas exigências. Por exemplo, o integrante deveria estar comprometido com as questões da comunidade negra e ter vontade para colaborar com essa linguagem. Com um tempo, o Bando foi se tornando cada vez mais independente até que, em 1994, se tornou residente do Teatro Vila Velha.

Uma das últimas montagens do Bando, Dô, estreou em 2012 (Foto: Reprodução)

Uma das últimas montagens do Bando, Dô, estreou em 2012 (Foto: Reprodução)

A parceria foi um sucesso e o talento do grupo ganhou os quatro cantos da cidade e do Brasil. Ou vai me dizer que você nunca ouviu falar na série ou no filme ‘Ó, Paí, Ó’? Ou o ‘Cabaré da RRRRRaça‘? Ou a versão de Shakespeare, Sonho de Uma Noite de Verão?  Pois fique sabendo que esses fenômenos de bilheteria são parte da história do Bando de Teatro Olodum.

O sucesso foi tanto que não demorou muito para a equipe começar a ser chamada para palestras nacionais e internacionais e ganhar destaque no teatro brasileiro. Um dos nomes mais conhecidos é o ator Lázaro Ramos, hoje figurinha carimbada das novelas da Globo e outros filmes, que também foi criado no Bando. Mas, claro, outros grandes nomes também se destacaram e são reconhecidos como importantes figura do teatro negro da Bahia, como Érico Brás, que faz o seriado Tapas & Beijos, e Jorge Washington, um dos maiores atores do Bando.

No total, o grupo é formado por 22 artistas e uma variedade impressionante de peças. São mais de 30 encenadas, que retornam com sucesso – ou estreiam – para os palcos da cidade. O último espetáculo em cartaz foi o infato-juvenil ‘Áfricas’ no mês de outubro no Vila Velha. Por aqui, a gente deseja vida longa e espera ansiosamente pelos próximos espetáculos. E, de preferência, cada vez mais coloridos, negros, cheios de vida e histórias. Daquelas coisas incríveis que só podiam ter nascido nessa cidade.  

+ infos:
Portal iBahia (Revista Conectado): Entrevista com Jorge Washington
Revista Raça: Bando de Teatro Olodum 

motivo #334

This entry was written by carolangom and published on November 30, 2013 at 3:50 am. It’s filed under teatro and tagged , , , , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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