365 motivos para amar Salvador

11 de dezembro – São Lázaro

Por Carol Andrade

As festas de São Lázaro são conhecidas pelo forte sincretismo, banhos de pipoca, procisão e alvorada de fogos (Foto: Reprodução)

As festas de São Lázaro são conhecidas pelo forte sincretismo, banhos de pipoca, procisão e alvorada de fogos (Foto: Reprodução)

São Lázaro é um lugarejo um pouco mágico dentro do bairro da Federação. No alto de uma colina, diante de uma igrejinha modesta, o verde, a simplicidade e a fé se misturam à bela paisagem e tranquilidade cotidiana. Lá o sincretismo é forte e tanto São Lázaro do cristianismo, quanto Omolu do candomblé ganham festejos e homenagens, com direito a banho de pipoca, alvorada de fogos, lavagem da escadaria e procissão. Por lá também fica um dos campus mais bonitos, embora abandonado, da nossa querida Universidade Federal da Bahia.

Filosofia, Ciências Sociais e outras Ciências Humanas se concentram no campus de São Lázaro e, um pouco mais adiante, a Rede Bahia, afiliada a Rede Globo em Salvador, também foi instalada. Bares com carinha de casa, como o de Dona Zilda, ganharam uma clientela fiel de moradores da região e muitos universitários. Ali também surgiu o Som de Zilda, sob a sombra e proteção das árvores no quintal do bar.

Por lá ainda rola uma das maniçobas mais famosas da cidade (também já falamos aqui!) e algumas das festas mais animadas quando o assunto é sincretismo: a festa de São Lázaro, que é celebrada no último domingo de janeiro, e a festa de São Roque e Obaluaê, que acontece no dia 16 de agosto. Todas as duas com presença forte de cristãos e filhos de santo. A própria igreja é um atrativo à parte. Com fachada simples, ela é datada do século 18 e mantém uma sala de Ex-Votos, onde os fiéis depositam objetos geralmente produzidos com base de parafina para representar a fé com relação à cura.

O lugar fica exatamente entre a Ondina, a Federação, o Jardim Apipema e o Calabar. No alto, pertinho da Rede Bahia, é possível ver grandes edifícios cheios de pompa, mas na região próxima a igreja, descendo a colina em direção à Ondina, a moradia é bem mais simples. Esse detalhe diz muito sobre a nossa cidade, onde pobres e ricos dividem o mesmo espaço a pouquíssimos metros. Há quem observe este detalhe de forma pessimista (é óbvio! é muito triste imaginar que enquanto uns esbajam riqueza, outros mantém uma vida muito mais sacrificada e difícil),  mas nesse caso, essa proximidade mexe muito mais profundamente na cultura da cidade.

É só imaginar que na mesma festa de largo, pobres e ricos estão juntos dividindo o mesmo espaço sem nenhuma separação. Afinal, a pipoca que será derramada é a mesma para qualquer um. E, melhor, o som ao redor de domingo vai ressoar em todos os cantos, assim como o grito da torcida (seja Bahia ou Vitória) do lado de fora da janela será ouvido por toda vizinhança e a alvorada de fogos também.

E por ali, vão circular gente de todos as crenças, universitários de montão, jornalistas, jovens e uns mais velhos, mais ricos, outros mais pobres. Todos juntos dividindo os detalhes mágicos e únicos dessa cidade.

+ infos:
Salvador Cultura Todo Dia: São Lázaro

motivo #345

This entry was written by carolangom and published on December 11, 2013 at 5:04 am. It’s filed under cultura afro, igreja, Soteropolitanidades and tagged , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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