365 motivos para amar Salvador

16 de dezembro – Arraias

Por Carol Andrade*

As mãos se movimentam em coreografia puxando ou segurando um fio invisível. São crianças e adultos, gente de todas as idades, quase sempre sem camisa, com havaianas nos pés, correndo para lá e para cá, com os olhos fixos no céu. E essa imensidão azul ganha o colorido das pipas e uma leveza incrível, rasgando a brisa do mar.

Salvador tem cenário quase sempre perfeito para empinar pipa: céu aberto, brisa do mar, ar livre (Foto: Natália Reis)

Salvador tem cenário quase sempre perfeito para empinar pipa: céu aberto, brisa do mar, ar livre (Foto: Natália Reis)

O impressionante é a leveza e a quantidade incontável daqueles papéis de seda em formato retangular, em cores vibrantes.

São horas de diversão sob um calor escaldante e um dos pontos mais famosos da cidade fica na Boca do Rio, naquele que devia ser um parque, ao lado do Aeroclube. Em épocas de videogame, Facebook e muita televisão, a quantidade de jovens que se jogam nessa atividade tão analógica é surpreendente. Basta passar por lá em uma tarde de sábado, ou mesmo durante a semana, para ver quanta gente se junta para empinar pipa.

Salvador combina com isso. O cenário é quase sempre perfeito: céu aberto, brisa na medida, espaços ao ar livre. É possível brincar e esquecer da vida controlando uma pipa. Mas a atividade preferida dessa galera é fazer uma caçada, cortando as que encontram pelo caminho. Vence quem derrubou mais. Pena que alguns não prestam atenção aos riscos que essa caçada pode causar.

O colorido das arraias cortando o céu azul é sensacional (Foto: Henrique Duarte)

O colorido das arraias cortando o céu azul é sensacional (Foto: Henrique Duarte)

Enquanto em outras cidades elas são conhecidas como papagaio, raia, pandorga ou quadrado, aqui em Salvador ela é mais conhecida como arraia.

Há quem diga que as duas nomenclaturas correspondem a modelos diferentes. As pipas teriam um formato de pentágono, com cabresto triangular e rabiola, ou seja, mais elaborada, enquanto a arraia seria uma versão mais caseira e simples: sem rabiola e em formato retangular.

Na prática, sejam pipas ou arraias, são motivos para olhar pro céu dessa cidade e se encantar.

Mas é bom lembrar que a brincadeira pode ficar séria se os empinadores não tomarem cuidado com alguns detalhes. Empinar pipa perto de fios elétricos e antenas, ou em dias de chuvas e relâmpagos é um perigo.

Outra dica é nunca usar linha metálica como fio de cobre de bobinas, nem linhas cortantes (como cerol). O ideal é procurar espaços abertos, como parques, praças, praias e campos de futebol.E se entrar numa caçada à pipa e perder a sua própria, nada de tentar desenroscar a arraia dos postes ou fios.

A brincadeira deve ser saudável e leve, com direito a céu azul e colorido de papel-seda.

* Sugestão da jornalista Lívia Rangel.

+ infos:
Brasil Cultura: História das pipas, pandorgas e papagaios

motivo #350

This entry was written by carolangom and published on December 16, 2013 at 3:13 am. It’s filed under dia de sol, Entretenimento, Soteropolitanidades and tagged , , , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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