365 motivos para amar Salvador

18 de dezembro – Ex-Votos da Igreja do Bonfim

Por Carol Andrade

Na Sala de Milagres, ex-votos estão pendurados no teto e dão uma atmosfera um pouco macabra ao lugar (Foto: Reprodução/CidadeBaixa.com)

Na Sala de Milagres, ex-votos estão pendurados no teto e dão uma atmosfera um pouco macabra ao lugar (Foto: Reprodução/CidadeBaixa.com)

Em uma primeira olhada, os ex-votos da Igreja do Bonfim, são estranhamente macabros. Dedos, pernas, mãos, pés, cabeças e pescoços, quase sempre de cera, estão pendurados não só no teto, mas em todos os cantos. Os ex-votos, para quem não sabe, são objetos depositados em templos para agradecer a graça ou o pedido alcançado. E, por isso, a Sala de Milagres e o Museu de Ex-Votos na Igreja do Bonfim, são um espetáculo de gratidão, pedidos, promessas e muita fé.

O ex-votos do Bonfim podem ser vistos em duas etapas. No Museu de Ex-Votos ficam os mais especiais. São objetos mais valiosos e históricos. Lá estão objetos de todos os tipos: vestimentas, quadros, pratarias, livros, moedas estrangeiras e nacionais antigas, entre outros.  O museu fica no andar superior e guarda ex-votos de fiéis ilustres da cidade. Entre os históricos, está o ex-voto do escravo Amaro, produzido por Manuel do Bonfim em 1868. É uma estátua de cedro, de 50 cm, e fica na segunda sala do museu.

Já a Sala de Milagres abriga um amontoado de ex-votos mais recentes. Diariamente são depositados vários objetos que vão de membros do corpo em parafina até diplomas, retratos (muuitos!), receitas e exames médicos, chaves, instrumentos musicais, dissertações de teses de doutorado, marca-passo, reportagens de jornal e mais um monte de objetos curiosos.

Os ex-votos de cera não sobem para o Museu, ficam sempre na Sala de Milagres. E depois de um tempo em exposição, geralmente um mês, a igreja faz uma seleção para ver se algum se destaca, recolhe o resto e manda para as Obras Sociais de Irmã Dulce, que os transformam em velas.

O mais impressionante é o sentido da fé que este lugar guarda e, claro, toda a sua exótica estranheza. É incrível imaginar que isso faz parte de uma tradição tão antiga, passada de boca a boca. Diferente do museu, que cobra cerca de R$1 como entrada, a Sala de Milagres é aberta aos fiéis e devotos. Por isso, é possível visitar o lugar e encontrar pessoas em oração e alguns até acendem velas (o que teoricamente é proibido).

O espaço, embora pequeno, parece mais democrático e mais sincero em sua força e prática religiosa. Já o Museu de Ex-Votos é mais amplo, mais resguardado e mais genérico em relação aos objetos. E como manda a tradição, as fitinhas do Senhor do Bonfim (que agora voltarão a ser produzidas na Bahia, depois de muitos anos), também estão em todos os lugares.

+ infos:
Artigo de José Cláudio Imperador Alves de Oliveira: Sala de milagres e museu dos ex-votos do Bomfim. Compartilhamento e Divergências. Da folkcomunicação à mídia clássica.
Cidade Baixa: Museu de Ex-Votos

motivo #352

This entry was written by carolangom and published on December 18, 2013 at 2:08 am. It’s filed under igreja, música, Soteropolitanidades and tagged , , , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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