365 motivos para amar Salvador

23 de dezembro – Espaço Cultural da Barroquinha

Por Carol Andrade

O Espaço Cultural da Barroquinha é perfeito para ser explorado por muitos shows, peças de teatro e dança, mas em 2013 parece que foi esquecido (Foto: Reprodução)

O Espaço Cultural da Barroquinha é perfeito para ser usado para shows, eventos, peças de teatro e dança, mas em 2013 parece que foi esquecido. Mas a gente ainda ama, viu? (Foto: Reprodução)

Quando a gente pega um cineminha no Glauber Rocha ou visita a Ladeira do Couro é praticamente impossível não admirar a Igreja da Barroquinha. De frente para a Baía de Todos os Santos, mas protegido por uma baixada onde foi construído, o lugar guarda muito da história do sincretismo religioso em Salvador e, mais recentemente, a partir de 2009, depois de uma restruturação, passou a ser um espaço cultural com direito a peças de teatro, shows e espetáculos de dança.

Ao longo desse projeto, a gente falou muito em viver a cidade, movimentar as ruas, curtir Salvador do que jeito que a gente sabe melhor. E um lugar como o Espaço Cultural da Barroquinha não poderia ser esquecido. Lembro que até 2012, a cantora Mariene de Castro promovia sua temporada de verão, o Santo de Casa, por lá. Mas aqui vai uma reclamação: em 2013 a gente quase não viveu esse cantinho porque ele mal foi aproveitado. Não pode isso, minha gente.

Construída entre 1722 e 1726, a Igreja além de ter sido um templo católico, foi virando referência também para o candomblé. Isso porque a tradicional Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte (lembra que a gente falou sobre isso no post da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos?), chegou a usar a Igreja da Barroquinha para suas celebrações e encontros. Outras irmandades também se apropriaram dessa igreja, que logo, logo começou a ser frequentada por mulheres nagô-iorubás da nação ketu. Naturalmente, o sincretismo foi acolhido por este lugar.

E a história da igreja foi cheia de emoções. No século 20, ela já havia sido desativada como templo e seu estado não era nada bom. Alguns comerciantes da área começaram a usá-la como depósito e em 1984, um incêndio quase destruiu toda sua estrutura (foram tantos incêndios nesta terra, que vou ser obrigada a fazer uma retrospectiva no final do texto). Até que, ainda nos anos 80, recebeu a primeira proposta de recuperação com um projeto da ilustre arquiteta Lina Bo Bardi, que viveu em Salvador durante um tempo.

Desde sua revitalização, em 2009, a Fundação Gregório de Matos é a responsável por administrar o espaço. Bom, para quem ainda tem dúvidas, esta não é uma igreja convencional, com imagens de santo, missas e bancos para oração. Trata-se de um espaço vazio (com um potencial imenso para soltar a imaginação) que abriga eventos, peças, festas, exposições e uma plateia de até 135 espectadores. Mas, claro, é possível curtir pequenos e médios shows do lado de fora. Porque em Salvador, igreja também pode virar diversão e cultura. E tudo ali, do ladinho do cinema, do Pelô e das comprinhas baratas da Barroquinha.

 + infos:
Espaço Cultural da Barroquinha: Bahia.com, Fundação Gregório de Matos e Guia Geográfico da Bahia

RETROSPECTIVA: Incêndios que fazem parte da história de Salvador:

motivo #357

This entry was written by carolangom and published on December 23, 2013 at 1:27 am. It’s filed under arquitetura, arte, cultura afro, Entretenimento, esconderijo, igreja, música, noite, programa barato, show, Soteropolitanidades, teatro and tagged , , , , , , , , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

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